Como chegamos aqui
Hospital, jornal e imobiliária me ensinaram coisas que sala de aula nenhuma ensina. A história de como isso virou a Inteligência Avançada.
Eu sempre fui desencaixado. Se a equipe era do padrão comercial, barulhenta e faladeira, eu era quieto. Se a empresa era de nerd, todo mundo quieto, eu era o barulhento. Uma coisa sempre teve em comum: eu sou curioso. Enchia o saco às vezes querendo entender por que aquilo era daquele jeito, ou feito daquela forma.
Quando entrei em tecnologia, em 2013-2014, trabalhando com redes, VLANs, roteamento e protocolo, eu achei uma “explicação” pra como a internet funcionava. E entender como a rede funciona por dentro foi, curiosamente, me ajudando a entender relação humana. Porque tudo que a gente cria é espelho da gente mesmo — e a internet não é diferente.
A ideia de rede descentralizada não nasceu por acaso, nem por moda. Em 1964, o pesquisador Paul Baran, da RAND Corporation, publicou o estudo que virou a base da internet: uma rede sem um centro único, pra sobreviver mesmo se um pedaço dela fosse destruído — literalmente pensada pra aguentar um ataque durante a Guerra Fria. Vinte anos depois, em 1984, dois funcionários de Stanford, Len Bosack e Sandy Lerner, criaram o primeiro roteador multiprotocolo pra conectar as redes de dois departamentos diferentes da universidade — e fundaram a Cisco Systems em cima disso. Anos depois viria a linha Catalyst: os mesmos switches que eu troquei e configurei, décadas depois, dentro de hospital e datacenter. A internet foi arquitetada pra não depender de um centro. Faz sentido que empresa boa siga a mesma lógica.
Depois vieram os hospitais — infra crítica de verdade, onde sistema fora do ar não é só métrica, é paciente esperando. Aprendi correria e criticidade ali antes de aprender em qualquer sala de aula. Depois a Folha de S.Paulo, ainda no começo de carreira, responsável pelas conexões do datacenter — rigor de empresa grande, jornal que não pode parar. Depois passei por imobiliária, que me tirou do backstage da infra e me colocou de frente com o mercado — cliente, negociação, gente de verdade decidindo comprar ou não.
Hospital ensina urgência. Datacenter de jornal ensina rigor. Imobiliária ensina mercado. Nenhum dos três se parece com o outro — e eu levei os três comigo.
O que isso tem a ver com esse blog e com o que a gente faz aqui: não é igual raiz quadrada de 25. Isso é exato, definido, sempre dá 5. É mais como o número pi — infinito, irracional, flutua e flui. Meu conceito de empresa, de escola, de política não é igual ao que o mercado já tem pronto. Não é fácil, existe desafio real em não ser o padrão por decisão — e é exatamente isso que, no fim das contas, faz a história ficar interessante e divertida.
A Inteligência Avançada nasceu dessa mistura: urgência de hospital, rigor de datacenter, e contato direto de mercado — tudo organizado não em cima de planilha e processo engessado, mas em cima de conversa e diálogo. Foi assim que resolvi, primeiro, o próprio caos da minha operação. Hoje a gente já está mais estruturado, e conseguindo replicar esse mesmo processo em outras empresas.
O nome desse processo é Dancer: o funcionário de IA que organiza seu negócio por dentro. Você pode testar.
Transparência é o motivo de eu estar contando isso em vez de só vender. A gente mostra o processo, não só o resultado.